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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tigresa


Fernanda,aos quinze anos de idade, sentiu uma leve dor na cicatriz próxima ao olho direito. Ela ganhou essa marca caindo da bicicleta. Achava que choveria.

Estava preocupada,pois tinha a festa de aniversário de dezenove anos de Lídia,aluna na mesma faculdade do seu irmão Armandinho.

Decidiu-se por uma camisa outono-inverno de mangas compridas.


A casa e a festa estavam por conta da aniversariante e os convidados. Talvez por isso muitos se excederam na bebida,menos Fernanda,cuja cicatriz denunciou a chuva,que veio forte.

Lídia também tinha uma marca no braço,adquirida em um acidente de carro quando ainda era criança.

Olhou para Fernanda,quieta no canto da sala e a chamou:


-Hei,Little Chicken,pode me acompanhar no banheiro lá em cima?


Fernanda não gostou do apelido,mas não queria parecer antipática,além do mais seu irmão garantiu a ela que Lídia era lésbica. Percebeu aí uma boa oportunidade de ficar a sós com a outra.

Entraram numa suíte ampla,bem decorada e razoavelmente iluminada.

Lídia se contentou em observar a franguinha,pensava no quanto Fernanda era bonita e atraente.

Na volta ao alcançarem o corredor, Lídia tocou na cintura de Fernanda e a tomou para si beijando sua boca. Adorou a sensação de ser correspondida e sussurrou no ouvido da outra:


-Little Chicken,gosto de mulheres treinadas. Quando você aprender a transar,por favor,me procure.


Deixou Fernanda com ar de perplexidade e desejos inauditos.


Fernanda aprendeu a transar,entretanto não procurou Lídia.

Cerca de quatro anos após esse estranho encontro,Fernanda entrou numa cafeteria e se deparou com Lídia conversando animadamente com um jovem. Era bem evidente a amizade entre os dois. Ela tocava nos ombros do rapaz e trocavam gracejos.

Na despedida,ele deu um pequeno selinho em Lídia deixando-a sozinha com seu café irlandês. Nesse momento,ao atentar ao seu redor,viu Fernanda e fez um sinal pedindo aproximação.

Achou melhor esquecer de uma vez por todas o apelido de Little Chicken,pois a outra estava uma mulher linda,mais alta que ela e continuava muito atraente.

Conversaram o suficiente para terem vontade de reverem-se. Lídia trabalhava com produção teatral e seu amigo era um ator promissor em início de carreira.


Fernanda estava na faculdade. Saiu da cafeteria contente e cheia de novas expectativas,afinal desejava Lídia há anos.

Lídia se encheu de um entusiamo quase infantil. Não contava com a sorte em rever sua garota preferida.


E assim as duas foram estreitando os laços até que Fernanda notou em Lídia um certo distanciamento,algo discreto,mas altamente perceptível para uma pessoa sensível como ela. Decepcionou-se ao acreditar que Lídia,por alguma razão que ela desconhecia,nunca seria dela.

Lídia comentou com uma amiga os motivos que a afastavam mais e mais da outra:


-Anna, detesto essa coisa canina e subserviente na Fernanda,mal nos reencontramos e ela já me põe num pedestal. Quero uma namorada não uma adoradora!


Anna conhecia Lídia o bastante para saber que ela sempre exagerava um tanto:


-Coitada da moça,Lídia,está apaixonada e abalada. Você é muito presencial,dê uma chance para ela se adaptar.


Acontece que Lídia repudiava sinais de fraqueza e sabia determinar o que mais a incomodava:


-Ela não sustenta o olhar,se intimida. Tenho me perguntado se tem uma tigresa escondida ali,somente vejo a Little Chicken de antes.


Anna riu da observação.


Fernanda levou meses amargando a indiferença de Lídia e sem atinar o porquê, se deixou abater pelo desânimo e se afastou. Quando ganhou dois convites para a inauguração de uma nova danceteria gls resolveu,pela última vez, tentar uma reaproximação de Lídia.


Lídia ficou feliz pela lembrança e queria muito conhecer o local. Sentiu um rápido enlevo ao avistar Fernanda. Tinha por ela uma profunda atração sexual e ao mesmo tempo lamentava aquela falta de reação,aquela inércia.

Nunca saberemos se Fernanda agia por excesso de educação ou as verdadeiras raízes de sua timidez. É certo que na vida,muita vezes,um fator inesperado pode transformar uma cordeira em uma loba. E com Fernanda não era diferente.

Estavam conversando no bar quando ela notou o olhar de Lídia voltado para outra mulher.


Reparou que sua pretensa rival tinha provavelmente a mesma idade que ela. Usava uma vistosa camisa branca plissada que lhe conferia a aparência de uma poetisa ou não menos que isso. Havia algo mais,a jovem tinha uma atitude desafiadora,fixava o olhar guloso e devorador em Lídia e estava conseguindo envolvê-la.


Lídia pediu licença discretamente e fez menção de conhecer a jovem sedutora. Mal deu dois passos e Fernanda a deteve segurando-a pelo braço. Tocava na antiga cicatriz e Lídia sentiu uma pontada de dor,a mesma que antecede as tempestades.

Num gesto brusco e bem calculado tentou desvencilhar-se da outra,mas Fernanda persistiu no intento de impor obstáculos. Uma centelha em seus olhos dizia “só se for por cima do meu cadáver”.


Lídia estremeceu. A princípio quis reagir com palavras agressivas,porém aquele olhar felino da outra a hipnotizou. Sorriu e tocou com os dedos na cicatriz do rosto da sua tigresa. Beijaram-se apaixonadamente.

Dirigiram-se ao apartamento de Lídia,onde trocaram carícias urgentes. Em meio aos beijos e juras de amor,ela continuou constatando o olhar felino da sua adorada. Não se lembrava de ter sentido tanto prazer em estar com alguém e tinha medo que aquela Fernanda desaparecesse ao ter seus desejos saciados.


Após o orgasmo da amante,Lídia reportou-se mais uma vez àqueles olhos azuis e profundos. O olhar de Fernanda anunciava o começo de uma noite sem fim,seguida de fortes chuvas.


Lídia sorriu,beijou os olhos e a boca da outra. Fernanda mordeu seu queixo e devolveu o sorriso. Aos poucos,as duas voltaram a respirar normalmente. Fernanda adormeceu primeiro. Lídia velou seu sono por longos minutos. Não se continha de felicidade. Finalmente havia encontrado a tigresa dos seus sonhos mais perfeitos.


"Esse texto foi inicialmente publicado no site Parada Lésbica"


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Novos Avisos, Livros & Agradecimentos

Feliz por estar aqui novamente, mas sem novidades. Acontece que eu gostei tanto de ficar offline que não escrevi uma linha sequer. Em compensação li alguns livros e amei esse aqui: "Na Praia" do Ian McEwan, autor que também escreveu os ótimos "O Inocente" e "Reparação".

Uma das melhores notícias do ano foi a publicação do livro da Diedra Roiz "O Livro Secreto das Mentiras e Medos" pela livraria abcLES. Uma grande iniciativa para uma grande escritora.

Também recebi as melhores recomendações para o livro da escritora gaúcha Adriana Nicolodi intitulado "Mesa 27", aliás já na sua segunda edição. O livro encontra-se disponível no site da Editora Malagueta e no blog da autora:

http://www.editoramalagueta.com.br/editora2/component/virtuemart/?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=54&category_id=2&vmcchk=1

http://mesa27.blogspot.com/

Aproveito para pedir a vocês que ajudem a Helena do Sapatilhando a escrever seu livro. A escritora destacou no seu blog:

Bem, gostaria que QUEM QUISESSE E PUDESSE me mandasse email(s) contando suas histórias: testemunhos de vocês sobre essa relação família X homossexualidade (se sabem, se não, como foi quando souberam, por que você decidiu não contar ainda, se você um dia tem vontade de contar, seus medos, suas dúvidas, seus sentimentos em relação a tudo isso). Os dados ficarão em sigilo e os e-mails devem ser enviados para:

helenapaix@gmail.com

Eu já mandei o meu. Participem!

Gostaria de agradecer imensamente as mensagens que recebi e o selo que ganhei da Luh do Insanamente Lúcida. Aos poucos tentarei aumentar o ritmo. Um grande abraço a todos, obrigada sempre.Marcia Paula.

domingo, 15 de novembro de 2009

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Soneto

Eu nasci nas imediações do Parque Dr. Fernando Costa, mais conhecido como Parque da Água Branca.


No domingo em que fiz treze anos de idade fui ao Parque com a minha mãe. Acontecia uma exposição de simpaticíssimos porcos vietnamitas. Enquanto os curiosos disputavam espaço para chegar perto dos mamíferos procurei um banco afastado para ler uma rara edição da "Antologia Poética" do Vinicius de Moraes. Lia o "Soneto de Fidelidade" quando vi ao meu lado, por coincidência, uma autêntica musa inspiradora: Marina. Ela riu quando eu pomposamente disse:


-Meu nome é Agnes de Almeida Campos, muito prazer.


Marina era uma ardorosa fã dos poemas do Vinicius e falamos por mais de uma hora sobre nossos gostos literários. Ao final da nossa conversa não tive dúvidas:


-Quer ser minha namorada?


-Você é muito nova - ela respondeu num gracejo.


-Não é para agora. É para daqui uns anos.


-Quando você tiver dezoito anos ou mais, suponho.


-Daqui a cinco anos, nesse mesmo banco, no terceiro domingo de setembro, às duas horas da tarde, que tal?


-Tudo bem, mas e se estiver chovendo?


-Daqui a cinco anos, nesse mesmo banco, no terceiro domingo de setembro, às duas horas da tarde e com um guarda-chuva.


Ela sorriu. Uma Agnes diferente surgiu naquele dia: autoconfiante, confiando nas pessoas e acreditando no amor. Todos os anos eu ia ao Parque no terceiro domingo de setembro. Não esperava encontrá-la. Na verdade significava para mim uma espécie de renovação do nosso encontro, da nossa deliciosa promessa.


No dia combinado cheguei cedo ao Parque da Água Branca. A tarde estava agradavél. Levei debaixo do braço o Suplemento de Cultura. Comi um cachorro-quente, tomei um refrigerante e esperei. Esperei por horas e ela não apareceu. Uma Agnes diferente saiu de lá: menos autoconfiante, desconfiada e sem crença no amor. Não fui mais ao Parque e joguei no lixo o livro do Vinicius.


Meu medo de ser abandonada ou esquecida me levou a ter relações superficiais com todas as pessoas. Quanto às mulheres era somente sexo e mais nada. Depois da faculdade consegui uma coluna em um jornal do bairro da Barra Funda, onde sempre morei. Alguns meses depois recebi um telefonema:


-Você é a mesma Agnes de Almeida Campos com quem eu marquei um compromisso no terceiro domingo de setembro?


Senti uma certa euforia ao perceber que ela não havia esquecido. Marina marcou um novo encontro no mesmo local:


-Preciso falar com você Agnes. Sinto que lhe devo explicações.


Nosso encontro não teve o mesmo sentido de antes, porém Marina me contou por que não foi ao Parque naquele domingo de setembro. Ela pediu desculpas e concluiu:


-Eu tive que amadurecer para enxergar com clareza o erro que havia cometido. Por favor Agnes, não me queira mal.


Uma Agnes diferente saiu daquele Parque: autoconfiante, confiando nas pessoas e acreditando no amor. Naquele ano comprei outra edição rara do livro do Vinicius.


Continuo morando no mesmo bairro, faço caminhadas no Parque da Água Branca, amo e sou amada, enfim, uma mulher apaixonada pela vida.


Soneto de Fidelidade


Vinicius de Moraes



De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.



Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quatro Vezes a Morte - Quarta e Última História - Morte em Veneza

Foi minha primeira vez em Veneza, no carnaval. Cheguei cedo no café Quadri para apreciar os ricos ornamentos, embora soubesse pouco acerca do significado de todas as fantasias. Contagiada pela alegria ao meu redor senti a força de um olhar que se fixava no meu.

Por mais de uma hora seguimos uma a outra até que ela decidiu retirar a máscara. Era muito jovem a dona daquele olhar ousado, febril e inebriante.


Caminhamos para longe da multidão e nos apresentamos:


-Meu nome é Ornella e o seu?


-Chamo-me Morte - ela respondeu prontamente.


Não contive o riso por conta do livro de Thomas Mann "Morte em Veneza" e continuei nossa estranha conversa:


-A senhorita Morte teria um outro nome?


-Sim, Sofia - disse com ar compenetrado.


Ela conhecia toda a região ao redor. Não havia melhor companhia: falante, educada, gentil. Numa manhã foi ao hotel onde eu me hospedara:


-Tenho uma casa de campo distante daqui. Gostaria de passar uns dias comigo?


Aceitei o convite e durante o voo me convenci que teria que tomar a iniciativa se quisesse conquistar um beijo sequer daquela moça.


O lugar era isolado. A casa fora reformada o que resultou em uma combinação agradável entre o antigo e o moderno.


Antes do anoitecer ela quis mostrar-me o jardim e colher flores para decorar a mesa de jantar. Eu me ofereci para exibir meus dotes culinários e antes que ela me desse qualquer resposta toquei em seu queixo e tentei beijá-la.

Ela se afastou e ao mesmo tempo pediu desculpas:


-Ornella, quero seu beijo, mas somente depois que você ouvir tudo que eu tenho a dizer.


Recostada no sofá me concentrei na réstia de sombra que o piano deitava sobre o tapete da sala. Não tinha coragem de encará-la quando ela iniciou a narrativa:


-Desde criança meu sonho era conhecer Veneza e participar de seu carnaval. Quando completei dezesseis anos meu pai e meus irmãos me levaram para a célebre cidade. Lá fui pedida em casamento por um homem rico e poderoso. Não obstante a insensatez dessa proposta e a grande diferença de idade entre nós, esse homem seguiu meus passos por dois anos.

Eu nutria um desejo secreto de ser beijada por uma outra mulher e no meu íntimo não via a hora de livra-me desse senhor. Um dia ele me raptou e me encerrou numa cela em uma das suas propriedades. Ele aparecia no local duas vezes ao dia. Jurava que era um apaixonado, um homem que se dedicaria para fazer-me feliz, um abnegado. Em outros momentos parecia um louco, feroz, violento e arrogante. Eu me perguntava qual seria o meu fim diante de tanta tirania. Certa ocasião, tomado de profundo remorso, ele me libertou. Infelizmente era tarde demais para mim. Adoeci por conta do frio, da fome e da sede. O medo completou minha sina e vim a falecer. Senti tanto ódio e desejo de vingança que me tornei a Morte Encarnada. Desde então eu ia para Veneza durante dez dias ao ano com a intenção de matá-lo. Com o passar do tempo, no entanto, novamente recuperei a fé nas pessoas e visitei meu pai e meus irmãos. Deram-me essa casa e providenciaram uma documentação para que eu andasse por onde bem entendesse. Sempre que posso vou visitá-los, mas nesse ano seus olhos me detiveram.


Sofia retomou o fôlego para terminar sua história:


-Acredite Ornella: eu te amo. O amor me devolveu o tempo que me foi roubado. Para tanto terei que abrir mão da minha juventude imperecível e se ficarmos juntas será maravilhoso envelhecer ao seu lado nesse mundo, porém você terá que ser igual a mim.


-E como se dá tal coisa Sofia?


-Um beijo meu e seus cabelos embranquecerão, sentirá um frio que congelará seu sangue e perderá o poder do pensamento. Não terá tempo para sentir medo ou dor. Sua carne se desprenderá de seus ossos e tudo que vive em você queimará e evolará como a fumaça de um cigarro. Após alguns meses um novo corpo será dado a você. Nossa natureza híbrida sobrevive com pequenas quantidades de alimentos e líquidos. Jamais poderá beijar qualquer ser vivo, pois isso equivalerá a um homicídio e você será punida se o fizer. Se aceitar meu convite prometo na sua volta recebê-la aos beijos, que dessa vez serão quentes e apaixonados. O que me diz, Ornella?


-Te amo Sofia. Confio minha vida a você!


Ela me levou pelas mãos para um local preparado para o meu passamento. Seus olhos ternos me disseram palavras de amor e de saudades. E quando me beijou foi exatamente como ela descreveu. Uma ação poderosa atacou o centro do meu ser e me arrancou a vida num átimo.


Despertei em uma tarde iluminada. Estava sozinha e seguindo as instruções de Sofia fiz uma pequena refeição e bebi um suco de fruta. Após um banho reconfortante procurei minhas roupas e fiquei encantada ao ver como ela cuidou de todos os detalhes na minha ausência. Troquei a roupa de cama e observei pela janela do quarto um intrépido filhote de gata que caçava algum inseto entre as flores. Atentei para o fato de que não poderia beijá-lo e senti um calafrio ao recordar que era a Morte Encarnada. Em poucos minutos essa sensação foi substituída pela alegria da presença de Sofia. Ela correu em minha direção para cumprir sua promessa de beijos acalorados.


Naturalmente o desejo cresceu entre nós e nos despimos. Deitei sobre o corpo de Sofia e rocei levemente sentindo seu púbis. Suguei deliciada seus seios pequenos e belos. Quando ela se abriu penetrei com delicadeza meus dedos em sua vagina úmida. Ela mudou de posição e para minha surpresa forçou a ruptura do hímen. Então eu coloquei minha língua macia no seu clitóris sabendo que nada é mais gostoso do que a dor quando permeada pelo prazer. Ela teve um orgasmo tão intenso que sua ejaculação feminina inundou minha boca misturando-se à saliva.

Eu não queria que ela me tomasse sem que realmente estivesse pronta. Eu mesma fui totalmente passiva na minha primeira vez. Sofia, ao contrário, não se intimidou e me tocou pedindo instruções de como eu gostava. Não tive tempo para dar as tais informações, só pedi que ela continuasse para alcançar meu orgasmo. Ficamos assim noite adentro conhecendo nossos corpos e trocando juras de amor. Ela me recordava meus primeiros tempos quando tinha receio de sair do lugar certo ou parar durante o orgasmo da minha amante. Sofia demonstrou uma sensualidade sem censura, de tal modo que percebi nela a amante exigente. Uma mulher que precisa ser seduzida e convencida de que obterá todo o prazer que tem direito.


Antes de adormecer e exausta de tanta felicidade conclui que o amor é vida até mesmo para nós que somos a Morte.


sábado, 10 de outubro de 2009

Meus Selos

Esse selo eu ganhei da Luh do Blog Insanamente Lúcida.



Esse selo eu ganhei da Simone do Blog Provei e Gostei.

Esses selos fofos eu ganhei da Laís do blog Mon Revu Perdu.



Ganhei o Prêmio Dardos do Blog Delirum.




Esse aqui ganhei do Blog Devaneios de Uma Alma Sem Dono.



Esse selo docinho ganhei da Docinho.



Ganhei esse selo-anel da Drika-Encontro das Aguas.



Esses selos-lambidas ganhei da Lobba.





Todos esses e em especial Os Melhores do Ano ganhei do Insanamente Lúcida.




















Esses eu ganhei do blog Os Não Amados.









O primeiro selo a gente nunca esquece!Ganhei do Queer Girls.



Todos esses selos eu ganhei da Sandrinha. Blog Fazendo Manha.
























Esse selo diz que sou uma lésbica aprovada pelo Inmetro. Ganhei do blog Uma Sapa Fora da Lagoa.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quatro Vezes a Morte - História nº 3 - Infelicidade

-Essa mulher vai te matar, Felícia! - proclamava a amiga.


-Felícia, larga essa mulher inútil que faz pouco de você! - dizia outra.


-E tem uma amante! - afirmava indignada uma terceira.


As amigas de Felícia tinham razão. Entretanto, Felícia, dotada de uma natureza apaixonada, relutava em separa-se de Cléo. No fundo da alma nutria a falsa esperança de que elas retomariam o namoro de antes e o frescor primaveril dos primeiros beijos.


Felícia remoía os conselhos das amigas enquanto ia ao banco retirar dinheiro para pagar a prestação da casa. A única coisa que tinha na vida. O salário de Cléo era o dobro do seu, mas todos os meses faltava algum valor na hora de acertar as contas. Cléo exagerava em tudo: sapatos, roupas, drogas, bebidas...o sacratíssimo cigarro. Felícia, por sua vez, abria mão dos próprios sonhos e planos.


A família de Cléo desdenhava:


-Cléozinha não pode beber, não pode fumar...mamãe Felícia não deixa!


Uma outra fonte recente de preocupação era o emprego por um fio. Andava esquecida, cometendo muitos erros. Assustada, via perigo em tudo. O coração aos saltos. No início ela pedia calma para si mesma. Retomava paulatinamente as condições cardio-respiratórias naturais. Depois começaram as dores e a dormência nos braços, as noites mal dormidas, o corpo pesado. Tinha a sensação de que era um nada, ninguém. Não se recordava da última vez que foi acariciada ou se sentiu feliz.


Chegou em frente à agência bancária de modo desordenado. De repente a porta ganhou uma distância incalculável e nos olhos enevoados ardeu uma lágrima pressentindo o perigo. A frase de uma música entrou nela de maneira estranha: "Cor...a...ção". Enfartou e morreu na calçada.


O rapaz da van saiu apressado do veículo, uma mulher fez o sinal da cruz, os passantes se reuniram em torno do corpo assombrados diante da morte. O rádio, alheio ao trágico acontecimento, continuava na voz de Alceu Valença: “A gente de ilude dizendo já não há mais coração”.